Fórum  
RETROSPECTIVA DO I FREPOP
 
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     A idéia da realização do I FREPOP surgiu da participação de alguns educadores linenses do II Fórum Mundial de Educação, realizado dos dias 19 a 22 de janeiro 2003, em Porto Alegre, que enfatizava a importância da articulação e a necessidade de ampliação das trocas de experiência no campo da Educação Popular. Assim, a partir da articulação e do consórcio entre dirigentes da Educação Municipal local, entidades educacionais parceiras (FPTE, IALIM, UNILINS e UNIMEP) e um grupo de voluntários, ocorreu o I Fórum Regional de Educação Popular do Oeste Paulista (I FREPOP), em Lins (SP), dos dias 28 a 30 de julho de 2003, que discutiu o tema: “A Educação de Jovens e Adultos e a Transformação do País: Experiências e Desafios”. O evento aconteceu num momento de grandes esperanças para todos, em especial às pessoas engajadas com as aspirações dos setores populares. As mudanças que almejavam ver realizadas na esfera político-administrativa e que poderiam alterar os rumos institucionais do Brasil, a partir dos resultados das eleições de outubro de 2002, favoreciam a reflexão sobre o papel que vinha desempenhando a Educação Popular no processo de transformação da sociedade brasileira. A conjuntura de então fazia crer que o acúmulo construído pelas diferentes iniciativas nos movimentos sociais, ao longo das últimas quatro décadas; e que se materializou, entre outros, na organização dos cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA), em suas diferentes articulações, havia alcançado o poder central e que, com isso, poderia mudar substancialmente os rumos da Educação no Brasil. O Oeste Paulista e, em particular, a Região Noroeste, onde o evento ocorreu, já contava, então, com uma vasta experiência de aproximação entre a cultura erudita/acadêmica, os anseios e a cultura popular, frutos do longo aprendizado da luta pela terra, da formação das comunidades eclesiais de base, dos movimentos sociais urbanos e também, de certa forma, da administração de esquerda (PT/PDT/PCdoB) que, por oito anos seguidos (1997-2004), governou o Município de Lins. Tanto as unidades de ensino público aí existentes, capitaneada pelas unidades da UNESP de Marília, Assis e Presidente Prudente, mas também de outras instituições de caráter filantrópico ou confessional, como a UNILINS, FPTE, IALIM e UNIMEP que possuem projetos educacionais e sociais de grande relevância em diferentes realidades locais do interior brasileiro.

     No que tange a seus objetivos, o I FREPOP pretendeu ser um instrumento a serviço daqueles que lutam efetivamente pela democratização do acesso à Educação no País e, de modo particular, no Oeste do Estado de São Paulo. Seus organizadores quiseram construir o evento num tempo e num espaço apropriados para acolherem os sonhos e as necessidades de alunos jovens e adultos, de educadores sociais, de professores de EJA, de lideranças sociais e políticas; e de agentes comunitários, numa dinâmica que permitisse, contemporaneamente, a troca de saberes e a busca de soluções comuns para suas próprias questões. Sob este ponto de vista, o primeiro evento foi muito bem sucedido. Os números expressam claramente o peso que ele assumiu no contexto da Educação Popular na região, sinalizando, os contornos de um perfil a ser seguido pelos eventos vindouros, reunindo mais de 290 participantes.

   

    
 À sua frente, estava a Comissão Organizadora, formada por 17 pessoas designadas pelas cinco entidades promotoras, que trabalharam diuturnamente nos bastidores, durante os longos seis meses de preparação, sem quaisquer recursos prévios, mas confiantes, responsáveis e atuantes de modo a garantir que tudo fluísse a contento. No decorrer das atividades, outras 57 atuaram como coordenadoras, debatedoras ou expositoras. Originaram-se das mais diferentes instituições públicas ou privadas da cidade, do Estado, do País e até mesmo houve uma participação do exterior, isto é: do militante do “Movimento per la Pace”, Marcello Limoli, proveniente de Schio (VI), Itália. Quanto à origem institucional das pessoas coordenadoras, debatedoras ou expositoras, podemos mapeá-la da seguinte forma: 16 estavam vinculadas a alguma das prefeituras representadas no evento; 10 à Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP); 06 a vários campi da Universidade Estadual Paulista (UNESP); 04 ao Movimento dos Sem Terra (MST); 03 à Faculdade "Auxilium" de Lins (FAL); 03 também a outras universidades privadas; 03, ainda, a instâncias do Governo Federal (MEC, FUNAI e Banco do Brasil); 02 à Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS); e 02 ao Centro Universitário de Lins (UNILINS). As 8 pessoas restantes estavam ligadas quer à Pastoral da Juventude; à Fundação de Amparo ao Preso (FUNAP); ao Poder Legislativo; ou, ainda, que se destacaram por seu reconhecido conhecimento em algum dos temas abordados e relacionados à Educação Popular. Quanto à origem residencial dos participantes, podemos classificá-los da seguinte forma: por volta de 150, eram originários do Município de Lins. Os demais representavam 29 cidades diferentes: da microrregião (Getulina, Guaiçara, Guaimbê, Sabino, Promissão e Guarantã); do Oeste Paulista (Araçatuba, Assis, Birigüi, Marília, Penápolis, Pirajuí, Presidente Alves e São José do Rio Preto); de outras regiões do Estado de São Paulo (Campinas, Charqueada, Diadema, Franca, Piracicaba, Rio Claro, Ribeirão Preto, Santo André, São Bernardo do Campo e São Paulo); do Mato Grosso do Sul (Dourados e Três Lagoas); do Paraná (Londrina); do Distrito Federal (Brasília); e, até, da Itália (Schio). Do ponto de vista profissional, predominaram os professores. Mas havia um número significativo de militantes sindicais, partidários e dos vários movimentos sociais que se interessaram em vir a Lins para refletir a realidade e as questões da Educação Popular.
   

     Quanto a sua organização, I FREPOP foi dividido em três blocos distintos: o primeiro, que correspondeu às mesas temáticas ocorridas no período matutino, em número de 13, proporcionou o desenvolvimento de debates acalorados em torno de sub-temas relacionados ao argumento principal (educação formal, inserção no "mercado de trabalho", voluntariado, auto-estima, sexualidade, papel das mulheres, situação dos negros e dos índios, entre outros); o segundo, que ocorreu no período vespertino, oferecia ao participante a oportunidade de conhecer as diversas experiências de Educação Popular existentes no Município de Lins e também em outras cidades, através de exposições e apresentações; e o terceiro bloco, no final das mesmas tardes, que correspondeu à sessão dos Testemunhos, onde pessoas das mais diferentes origens falavam de sua própria trajetória de vida e de seu engajamento educacional. Foram momentos muito enriquecedores e emocionantes. Na noite de terça-feira, dia 29, foi realizado um Momento Cultural no Ginásio de Esportes do IAL, onde vários grupos artísticos existentes no Município (Internos do Hospital "Clemente Ferreira"; Projeto "Cultura Viva"; Balé do CENSA e Projeto "Renascer") se apresentaram aos participantes, pais e parentes das crianças e adolescentes que ali compareceram. Na opinião de muitos dos participantes, o I FREPOP teve um papel marcante no avanço da Educação Popular em nosso meio porque promoveu algo até então inédito: o encontro entre o conhecimento produzido pelos intelectuais (professores e pesquisadores) dos centros de excelência, na Academia, com a reflexão e os problemas enfrentados pelos professores, agentes e militantes que atuam no cotidiano seja nas salas de aula de cursos de Educação de Jovens e Adultos, ou, ainda, no interior dos Movimentos Sociais que promovem a educação a partir dos acontecimentos cotidianos, de suas reivindicações e também de suas lutas por melhores condições de vida e trabalho. O encontro não teve a preocupação de produzir um debate mera e unicamente acadêmico, mas contribuiu para elevar o nível do entendimento daqueles que lá estiveram, interessados em socializar sua reflexão sobre a prática educacional popular com vistas a melhorá-la onde ela já existe e criá-la onde é necessária. O I FREPOP contou, além de sua receita própria, com recursos oriundos do Ministério da Educação (MEC), que, naquela oportunidade se fez representar pelo Prof. Dr. Antonio Ibañes Ruiz, Secretário de Educação Média e Tecnológica, que participou da sessão de abertura, falando em nome do Excelentíssimo Ministro da Educação da época, o Prof. Dr. Cristovam Buarque.

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